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Direito e Justiça

22/08/2017 ás 23h24

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Alvorada do Oeste / RO

'Gemidão' do WhatsApp causa demissão de entregador de farmácia
Após ser dispensado por justa causa, motoboy conseguiu reverter decisão na Justiça.
'Gemidão' do WhatsApp causa demissão de entregador de farmácia



Motoboy abriu arquivo no celular e caiu na pegadinha do 'gemidão' (Foto: Fernanda Zauli/G1 )





 O motofretista de uma farmácia de Natal foi demitido por justa causa após cair na pegadinha do 'gemidão' do WhatsApp. O caso foi parar na Justiça do Trabalho, onde o ex-empregado conseguiu reverter a demissão para dispensa sem justa causa. A empresa alegou que o áudio causou constrangimento e prejuízos financeiros.


Segundo a defesa do empregado, a postagem aparentava ser um vídeo jornalístico, mas continha um áudio de uma mulher gritando alto em tom sexual. O motociclista ainda afirmou que "tal pegadinha é costumeira nos grupos de WhatsApp e tem o intuito de constranger a pessoa que recebe o vídeo".




O caso aconteceu em janeiro de 2017, mas só foi divulgado após uma decisão judicial, proferida na última sexta-feira (18). Funcionário da empresa desde maio 2014, o motociclista não teria direito a alguns direitos concedidos a quem perde o trabalho se a justa causa tivesse sido mantida - caso do saque ao FGTS e seguro-desemprego. Ele alegou que caiu involuntariamente em uma pegadinha enviada pelo aplicativo de troca de mensagens durante seu horário livre.




Apesar de reverter a demissão, a Justiça não concedeu direito a idenização por danos morais, solicitado pelo motociclista.




 Constrangimento


 Para os representantes da farmácia, o ex-empregado apresentou 'maus hábitos' ao assistir vídeos no celular em horário de expediente, 'sobretudo quando comete ofensa ao pudor'. Para os advogados, houve desrespeito aos colegas de trabalho, clientes e à própria empresa.




A empresa também afirmou que o áudio provocou várias reclamações e prejuízos. De acordo com a defesa, 'clientes saíram sem efetuar suas compras ao ouvirem os sons que ecoaram por todo estabelecimento' e disseram que não voltaríam mais ao estabelecimento.




Para a juíza Isaura Maria Barbalho Simonetti, da 5ª Vara do Trabalho de Natal, é incontestável que o trabalhador utilizou o aplicativo durante o expediente e que assistiu a um vídeo pornográfico. Porém, a magistrada considerou que não existem provas que a intenção do empregado era causar constrangimento. As comprovações quanto aos prejuízos que a farmácia alega também não teriam sido apresentadas.



 


A juíza também apontou que a empresa não apresentou com exatidão o número de clientes presentes no momento, se houve reclamações formais ou queda nas vendas após o episódio, sequer foi apresentada estimativa do prejuízo. Para ela a demissão por justa causa deve ocorrer quando não restar dúvidas acerca da intenção do empregado em praticar a conduta que pode justificá-la, o que não foi o caso.




 Áudio


 O 'gemidão', como ficou conhecido o áudio nas redes sociais, é atribuido à atriz norte-americana Alexis Texas, de 32 anos, premiada por vários filmes na indústria pornográfica. O áudio famoso foi gravado em uma cena do vídeo adulto “Alexis Texas Boxing POV”. No Brasil, até sessões políticas já foram interrompidas pelo barulho.


FONTE: g1

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