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03/02/2018 ás 13h30

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Alvorada do Oeste / RO

Delegacia do interior de Rondônia cria equipe especializada e soluciona 98,7% dos assassinatos em oito anos
Dos 79 assassinatos registrados em Pimenta Bueno nos últimos oito anos, 78 foram solucionados, segundo a Polícia Civil. Desses, 64 viraram ações penais.
Delegacia do interior de Rondônia cria equipe especializada e soluciona 98,7% dos assassinatos em oito anos



Dos 79 homicídios, 78 tiveram autor apontado pela polícia nos últimos oito anos (Foto: Arte/G1)






 



Uma delegacia do interior de Rondônia conseguiu solucionar, em oito anos, 98,73% dos homicídios registrados na unidade. Com cerca de 34 mil habitantes, segundo dados da Polícia Civil, Pimenta Bueno teve 79 assassinatos desde 2009 e, deste total, os investigadores ficaram desvendaram a autoria de 78 crimes e 64 casos viraram ações penais.




Segundo o titular da delegacia da cidade, Juarez de Morais Lourenço, a polícia classifica o caso como solucionado quando o autor do crime é identificado e o inquérito é concluído.




Os números de mortes solucionadas em Pimenta Bueno estão acima dos registrados em outras cidades do estado. Um levantamento feito pela Delegacia Regional de Polícia Civil, responsável por 49 dos 52 municípios de Rondônia, aponta que 52% dos crimes contra a vida costumam ser solucionados, em média.




Juarez de Morais afirma que o apoio de 21 servidores ajudou na solução dos 78 homicídios de Pimenta Bueno, que não tem uma delegacia especializada em homicídios. Ele afirma que, apesar do baixo número de funcionários e da dificuldade estrutural, a união e o comprometimento com o trabalho garantem a solução dos casos.




 


“Nós priorizamos os crimes contra a vida. Quando ocorre um homicídio, todos os outros crimes ficam na espera e nosso efetivo se dedica na solução do homicídio até a conclusão”, diz Juarez.

 




Na delegacia de Pimenta Bueno também atua o delegado Frankie Lopes de Souza. Ao G1, ele diz que as primeiras horas após o crime são fundamentais para a identificação dos suspeitos.




"Acompanhamos a nossa equipe até a cena do crime, trazemos testemunhas e suspeitos para serem ouvidos na delegacia. Hoje em dia também contamos com as provas técnicas, como DNA e digitais colhidas na cena, então utilizamos todos os recursos fornecidos pela polícia para esclarecer nossos casos”, afirma Souza.







 

A cidade de Pimenta Bueno tem cerca de 34 mil habitantes, segundo o IBGE (Foto: Magda Oliveira/G1)A cidade de Pimenta Bueno tem cerca de 34 mil habitantes, segundo o IBGE (Foto: Magda Oliveira/G1)



A cidade de Pimenta Bueno tem cerca de 34 mil habitantes, segundo o IBGE (Foto: Magda Oliveira/G1)





 


 



Investigação recorde



 




Um dos casos que teve desfecho recorde foi o assassinato da Kátia Saldanha, uma estudante de fisioterapia sequestrada e morta após sair da igreja em Pimenta Bueno, no ano de 2013. Em menos de 24 horas após o crime, a polícia já sabia quem eram os assassinos da jovem de 26 anos.




Para o pai de Kátia, Francisco Lacerda, a atuação rápida da polícia serviu como forma de justiça para a família. "Não aceitaria vê-los na rua. Apesar de estarem presos, a perda é irreparável. Hoje me sinto com um buraco no coração”, desabafa. Atualmente os criminosos seguem presos e já foram condenados.




 



Caso sem solução



 




O único caso de crime contra a vida não solucionado em Pimenta Bueno ocorreu em 31 de dezembro de 2015, segundo o delegado titular.




Na ocasião, uma mulher foi assassinada em casa e o corpo foi encontrado pela filha, que não estava na residência no momento do crime. Segundo o delegado Arismar Araújo, a equipe de polícia trabalhava em regime de plantão por causa réveillon, e a investigação foi iniciada mais de uma semana após o crime. Hoje, passados mais de dois anos, o inquérito não foi concluído.




Por causa desse único crime não solucionado, Arismar Araújo defende que o delegado conduza a investigação in loco nas primeiras 24 horas após o corpo ser achado. “É uma questão de gestão. A investigação deve ser imediata. O crime pode ocorrer em uma sexta-feira à noite, por exemplo, que a equipe vai a campo e já começa a trabalhar”, destaca.




 



Condenações dos crimes



 




 



  • Dos 79 inquéritos de homicídio dos oito anos em Pimenta Bueno, 64 se transformaram em ações penais.

  • Dos 64 que viraram processos, há 30 condenações; outros 10 retornaram à delegacia para investigação, pois faltou laudo ou por alguma outra questão burocrática.

  • Em um processo o réu foi absolvido por legítima defesa.

  • Três ações foram remetidas para outras varas.

  • Sete processos foram ou vão a júri popular.

  • 19 ações estão em fase de instrução, Seis são casos de absolvição ou impronúncia (casos em que o acusado vai responder por outro tipo de crime, menos grave).

  • Em 2 processos os réus foram considerados inimputáveis e foram estabelecidas medidas de segurança.


 



 


 



Outras localidades



 




Assim como ocorre em Pimenta Bueno, Guajará-Mirim (RO) também não tem delegacia especializada em crimes contra a vida, mas em oito anos a cidade de 41 mil habitantes teve 64 assassinatos e 90% dos casos solucionados nos últimos oito anos.




Só em 2017, segundo a Polícia Civil, foram 11 assassinatos e em dez casos a autoria do crime foi descoberta.




Segundo o delegado Lawrence Lachi, 11 agentes de polícia se dedicam exclusivamente às atividades de investigação policial. “Esse número pode flutuar em razão das necessidades de outros setores, como o Comissariado de Plantão, por exemplo.”




A delegacia de Guajará conta apenas com um delegado titular. Nos casos de crime contra a vida, uma equipe de policiais é imediatamente acionada. Segundo o delegado, o tempo médio até a chegada dos policiais no fato é de uma hora após a informação ter chegado à polícia.




 



Homicídios em Porto Velho



 




Em Porto Velho, que tem delegacia de homicídio especializada, o percentual de assassinatos solucionados está abaixo de Pimenta Bueno. Segundo o diretor de Polícia Civil de Rondônia, Elizeu Miler, só 46% dos crimes tinham sido solucionados até 2015, mas nos dois últimos anos os casos solucionados aumentaram para 81%.




As soluções dos crimes aumentaram na capital, que tem mais de 500 mil habitantes, porque a polícia está utilizando mais mecanismos de inteligência na análise criminal, como softwares que detectam marcas de violência. Em Porto Velho, os datiloscopistas vão à cena do crime, perícia que antes era feita pela polícia técnica.




Veja crescimento da solução de homicídios em Porto Velho

 


1551557272123123100100N° homicídios 2016Inquéritos concluídos 2016N° homicídios 2017Inquéritos concluídos 2017050100150200


Fonte: Polícia Civil


 


 



Solução proporcional à demanda



 




Em entrevista ao G1, o especialista em segurança pública Cássio Thyone Almeida Rosa, presidente do Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comentou a maneira como são conduzidas as investigação dos homicídios. Ele lembra, por exemplo, que o próprio Código de Processo Penal prevê que a perícia deve ser realizada em toda cena de crime com vestígios.




“Não consigo conceber uma investigação bem feita que não comece nos primeiros momentos após o crime", critica.




 


"Uma investigação bem feita vai resultar em um relatório final mais robusto, onde as provas estarão encaminhadas no sentido de apontar o autor e as circunstâncias do crime", diz Rosa.

 




"Sobre a investigação, geralmente quem vai para o local do crime não são os delegados, e sim os investigadores", critica.




Para ele, casos onde há um elevado percentual de identificação dos reais autores dos crimes podem ser considerados sim “boas práticas”, mas tem que se levar em consideração fatores como número de habitantes, efetivo polícia civil e índices de criminalidade da região.




 



FONTE: Magda Oliveira, Larissa Zuim, Ana Lídia Daibes, G1 RO

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